Quando pensamos nos invernos parisienses, lembramo-nos muitas vezes de alguns flocos de neve tímidos. Mas houve uma altura em que o próprio Sena cedeu às temperaturas negativas. O inverno de 1879-1880 é recordado como uma verdadeira anomalia. Várias semanas de geada contínua mergulharam Paris num frio tal que até o rio da capital congelou!
O inverno histórico que viu o Sena congelar em Paris
Com temperaturas que atingiram os -24°C, o ano de 1880 começou excecionalmente frio. Pouco a pouco, o Sena congelou. Os barcos ficaram presos, os movimentos do rio pararam e as margens adquiriram um aspeto que os parisienses descreveram como quase irreal. Alguns comentadores falaram de um silêncio invulgar à volta do rio, como se a cidade estivesse a suster a respiração perante este espetáculo desconcertante.
No entanto, esta calma anunciava um dos episódios mais caóticos da história do inverno parisiense. Quando as temperaturas voltaram a subir, o gelo fracturou-se em enormes blocos e foi arrastado rio abaixo com uma violência sem precedentes. A fratura destruiu barcaças inteiras, deslocou jangadas, danificou cais e estilhaçou tudo o que se encontrava no seu caminho. O que tinha encantado Paris apenas alguns dias antes tornou-se um perigo real, suficientemente forte para causar o pânico das autoridades. No final, tudo voltou ao normal após alguns dias e muito trabalho das equipas de emergência mobilizadas.
Desde então, nunca mais se registou um episódio semelhante. No século XX, o rio congelou ligeiramente em alguns locais, nomeadamente em 1956, mas nada que se compare ao inverno do final do século XIX. As alterações climáticas, a atividade urbana e a temperatura da água parecem agora impossibilitar um tal espetáculo.
Esta anomalia climática recorda-nos que Paris já viveu invernos de uma intensidade que hoje mal podemos imaginar. Entre o fascínio e o medo, a capital viveu um momento suspenso em que o Sena congelou… antes de acordar com um estrondo. Uma página surpreendente da história parisiense, ainda contada através dos arquivos e dos relatos de testemunhas da época.
