Entre os tesouros que o Museu do Louvre guarda, alguns chamam menos a atenção do que a Mona Lisa, mas contam uma história igualmente espetacular. É o caso do diamante Le Régent, considerado um dos mais bonitos diamantes do mundo e, sem dúvida, o mais emblemático da história de França. A sua trajetória, entre a Índia, os palácios reais e a Revolução, parece um verdadeiro filme.
O mais mítico dos diamantes
A história começa no final do século XVII, nas minas de Golconda, na Índia, região então famosa por produzir os diamantes mais bonitos do planeta. Um escravo teria descoberto uma pedra bruta excepcional de cerca de 410 quilates. A lenda conta que ele a escondeu numa ferida na perna para tentar contrabandeá-la para fora do país. Traído por um cúmplice, ele é assassinado, e a pedra acaba caindo nas mãos de um comerciante inglês, Thomas Pitt, então governador de Madras.
Thomas Pitt guardou o diamante por vários anos antes de mandar lapidá-lo em Londres. Após uma longa lapidação, a pedra revelou todo o seu esplendor. Agora pesava 140,64 quilates e se destacava por sua pureza e brilho excepcionais. Em 1717, Pitt vendeu o diamante ao regente da França, Philippe d’Orléans, que governava o reino durante a menoridade de Luís XV. Foi nessa altura que a pedra recebeu o nome que conhecemos hoje.
Rapidamente, o diamante se torna uma das joias mais preciosas da Coroa da França. Ele é integrado às coleções reais e usado em grandes cerimônias. Ele pode ser visto, em particular, na coroa de Luís XV durante sua coroação em 1722. Seu corte perfeito e seu brilho excepcional fazem dele uma peça única, frequentemente descrita como uma obra-prima absoluta da joalheria.
Mas a história do Regente não se limita aos fastos da monarquia. Durante a Revolução Francesa, as joias da Coroa são apreendidas e depositadas no Garde-Meuble. Em 1792, parte desses tesouros é roubada durante um assalto espetacular. O Regente desapareceu então por vários meses, antes de ser encontrado em 1793 num sótão parisiense.
Durante o Primeiro Império, Napoleão Bonaparte apropriou-se da pedra. Ele colocou o Regente na guarda da sua espada de coroação em 1804, transformando o diamante real num símbolo imperial. Mais tarde, Napoleão III também o utilizou, reforçando ainda mais o seu estatuto de objeto de poder.
Ao longo do século XIX, o diamante tornou-se um tesouro nacional. Ele escapou da venda durante a dispersão das joias da Coroa em 1887, pois seu valor histórico era considerado inestimável. Ele foi então confiado ao Museu do Louvre, onde ainda hoje está exposto na galeria de Apolo, ao lado de outras obras-primas da joalheria francesa.
Entre tragédias, intrigas políticas e símbolos de poder, o diamante Le Régent continua a ser uma das testemunhas mais marcantes da história francesa.
