Conhecemos a Candlelight e outras experiências emblemáticas da Fever Originals pelos seus concertos à luz das velas, pelos seus locais espetaculares e por aquela atmosfera suspensa onde a música parece diferente. Mas por trás dessa aparente simplicidade esconde-se o trabalho invisível de uma equipa de ponta: a Fever Music Team. Este coletivo internacional de arquitetos musicais intervém numa fase muito inicial para garantir uma qualidade artística absoluta em cada projeto, unindo o rigor académico à energia do espetáculo ao vivo.
*Todas as citações no artigo foram traduzidas para português a partir do inglês ou do espanhol

Quem são as pessoas por trás de cada concerto
Por trás de cada programa, há uma equipa de cerca de quinze curadores espalhados pelo mundo. E, ao contrário do que se poderia imaginar, não se trata simplesmente de programadores.
Quase todos têm formações musicais exigentes. Alguns têm doutoramentos, outros mestrados em filosofia da música, e alguns até já atuaram em palcos como a Broadway. Mas, acima de tudo, continuam a ser, antes de mais nada, músicos ativos.
É precisamente esta mistura de perfis que permite criar pontes entre os géneros e dar a cada concerto essa sensação de coerência, mesmo quando revisita universos muito diferentes.

Nos bastidores da curadoria: uma profissão entre instinto, método e equilíbrio
O trabalho deles, resumido de forma simples, consiste em “encontrar músicos, criar setlists, gerir os arranjos e verificar a qualidade musical global do espetáculo.” – Paula Gonzalez. Mas, na realidade, o processo é muito mais complexo.
Tudo começa com a procura de artistas. E aí, o método é exaustivo: «Procuramos em todo o lado, sites, YouTube, Instagram… não deixamos nenhuma pista de lado para encontrar os melhores músicos.» — Ana Sofía Vela Ramirez
E depois há a setlist, essa sequência de músicas que parece fluir naturalmente para o público. Na realidade, tudo é pensado.
O objetivo não é apenas encadear títulos conhecidos, mas construir uma narrativa. Por trás de cada programa, há uma intenção, a de «[…] honrar a carreira do artista a quem se presta homenagem.» – Ana Sofía Vela Ramirez
Por fim, mesmo que a Candlelight esteja presente em centenas de cidades, cada região tem um curador dedicado com conhecimentos locais que «[…] se esforça muito para adaptar os programas globais às sensibilidades locais». — German Ocampo Barrera

Na era dos algoritmos, defender uma visão profundamente humana da música
Num panorama musical cada vez mais tecnológico, a Fever Music Team encara os algoritmos como valiosos assistentes para otimizar a gestão e acompanhar as tendências de plataformas como o TikTok. No entanto, a curadoria criativa continua a ser tarefa dos curadores.
Longe de rejeitar a tecnologia, eles simplesmente definem o seu papel: a IA pode ajudar em tarefas simples e repetitivas, para permitir que nos concentremos na criação; mas a curadoria, essa, continua a ser humana. Pois o que eles procuram criar vai além da simples performance. Trata-se de emoção, de transmissão, de ligação.
Uma forma de lembrar que por trás de cada concerto, de cada nota e de cada vela, há acima de tudo escolhas, perspetivas e uma certa ideia da música.

*Curadores: Pablo Moreno Sánchez, Robert Tyler Bechtle, Javier Calderari Torres, Ricky Schweitzer, Ana Sofía Vela Ramirez, Andree-Ann Deschenes, Hyunmin Kang, German Ocampo Barrera, Adrian Martens, Paula Gonzalez, Paula Flores, Lulu Whittington, Ross Raymond Mccaw e Aalok Gandhi
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